Desporto

Os 10 jogos mais polémicos da história da Copa do Mundo

Cada Mundial garante jogos emocionantes, golos brilhantes e a presença dos melhores jogadores do planeta.

Assim como também, infelizmente, algumas grandes polémicas. Ao longo da história, existiram decisões de arbitragem chocantes que desempenharam um papel importante em jogos históricos do Campeonato do Mundo e até mesmo em finais.

 

1. Diego Maradona vs Inglaterra 1986 – A Mão de Deus

Os golos mais famosos e mais infames da história do Mundial foram marcados pelo mesmo jogador, no mesmo jogo, durante a vitória da Argentina sobre a Inglaterra nos quartos de final do Mundial de 1986.

O mais infame aconteceu quando o marcador estava empatado a zero, aos seis minutos da segunda parte. Diego Maradona aproveitou um erro de Steve Hodge na defesa, saltou e desviou a bola com o punho esquerdo, passando pelo guarda-redes inglês Peter Shilton.

Inacreditavelmente, o árbitro e o bandeirinha validaram o golo, enquanto os jogadores e a equipa técnica da Inglaterra assistiam incrédulos. Maradona diria, após a partida, que aquele golo foi marcado “um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a mão de Deus”, afirmando que se tratava de uma vingança pelos seus irmãos argentinos pela Guerra das Falklands, ocorrida no início daquela década. Em Inglaterra, Maradona seria apelidado de trapaceiro, e muitos nunca mais o perdoaram, incluindo Shilton.

Logo após esse golo de mão, Maradona marcaria o maior golo da história do Mundial, driblando vários jogadores ingleses desde o seu próprio campo antes de finalizar com precisão.

Maradona levaria a Argentina ao título mundial, no entanto a controvérsia e a lenda desta partida viverão para sempre.

 

2. Geoff Hurst contra a Alemanha Ocidental em 1966 – A bola ultrapassou a linha?

Messi contra Ronaldo? Maradona contra Pelé? A bola ultrapassou a linha? Estas são três das questões mais eternas do futebol. Provavelmente nunca serão respondidas de forma definitiva.

Na final do Mundial de 1966, em Wembley, o marcador estava empatado a duas bolas aos oito minutos do prolongamento. O avançado inglês Geoff Hurst rodou sobre o seu marcador e desferiu um remate potente que bateu na parte inferior da barra e ressaltou na linha, ou quase?

Os jogadores de ambas as equipas queixaram-se se o golo tinha sido validado ou não, até que o árbitro suíço Gottfried Dienst foi convencido pelo bandeirinha soviético Tofik Bakhramov a confirmar o golo.

Hurst completaria o seu hat-trick mais tarde e a Inglaterra conquistaria o seu primeiro Campeonato do Mundo. Com os mais recentes avanços na tecnologia afirmam que a bola não ultrapassou a linha, porém o lance permanece como parte do folclore do Mundial. No seu leito de morte, perguntaram ao bandeirinha soviético Bakhramov porque tinha validado o golo e ele terá simplesmente respondido: “Estalinegrado”.

 

3. Coreia do Sul 2002: Itália e Espanha acusam-se mutuamente de conspiração

O Mundial de 2002 é recordado como o mais controverso da história, com a Itália e a Espanha, compreensivelmente, a sentirem-se roubadas pela Coreia do Sul, uma das anfitriãs.

A Itália já tinha tido quatro golos válidos anulados nos seus dois últimos jogos da fase de grupos, porém o pior ainda estava para vir nos oitavos de final contra a Coreia.

Os azzurri tiveram mais um golo válido anulado, um golo de ouro de Damiano Tommasi que os teria qualificado. Francesco Totti foi expulso por simulação num lance aparentemente inofensivo, a Coreia teve um penálti a seu favor, enquanto os comandados de Guus Hiddink cometeram uma série de faltas perigosas que não foram punidas.

A Coreia venceu por 2 a 1 com um golo de ouro, enquanto a Itália alegava conspiração contra o árbitro Byron Moreno. O árbitro equatoriano seria detido alguns anos depois por contrabando de heroína no aeroporto JFK.

No jogo seguinte da Coreia, a Espanha foi eliminada nos penáltis em circunstâncias igualmente duvidosas. Os espanhóis tiveram dois golos perfeitamente válidos anulados, um deles quando um cruzamento foi considerado como tendo ultrapassado a linha de fundo. Nem sequer foi por pouco.

No final da partida, o defesa espanhol Iván Helguera teve de ser contido pelos colegas ao tentar agredir o árbitro. O então presidente da FIFA, Sepp Blatter, foi obrigado a negar publicamente que o Mundial tivesse sido manipulado para favorecer a Coreia do Sul.

 

4. Argentina vs Inglaterra 1966 – A “Violência da Língua” de Antonio Rattin

De facto, o árbitro alemão Rudolf Kreitlein causou indignação na Argentina ao expulsar o capitão Antonio Rattin aos 35 minutos do jogo dos quartos-de-final contra os anfitriões.

Rattin foi expulso por “violência da língua”, embora o árbitro alemão não tenha dito uma palavra de espanhol. Rattin recusou-se a deixar o campo durante muito tempo e insultou a Rainha quando finalmente saiu. A Inglaterra venceu o jogo por 1 a 0.

O seleccionador inglês, Sir Alf Ramsey, afirmou sobre a Argentina após a partida: “Ainda precisamos de mostrar o nosso melhor, e isso não será possível até enfrentarmos o tipo certo de adversário, ou seja, uma equipa que entra em campo para jogar futebol e não para se comportarem como animais.”

Na verdade, a Argentina cometeu apenas 19 faltas na partida, contra 33 da Inglaterra. Mais tarde, foi também alegado na América do Sul que, quando os representantes da Argentina, Uruguai, Espanha, Portugal e União Soviética chegaram a tempo para o sorteio dos quartos-de-final num hotel de Londres, descobriram que o sorteio já tinha sido realizado.

As únicas testemunhas foram o presidente inglês da FIFA, Stanley Rous, um representante alemão e alguns delegados africanos. Isto alimentou ainda mais a teoria da conspiração anteriormente mencionada, de que a Inglaterra e a Alemanha Ocidental teriam conspirado para garantir a qualificação das suas selecções para as meias-finais.

 

5. Alemanha Ocidental vs Uruguai 1966 – Super-Homem Schnellinger

A Alemanha goleou o Uruguai por 4 a 0 nesta partida dos quartos de final do Mundial de 1966, em Inglaterra, no entanto existe muito mais por trás deste jogo.

O Uruguai dominou boa parte da primeira parte e parecia ter inaugurado o marcador num canto, porém o defesa alemão Karl Heinz Schnellinger fez uma defesa espectacular, saltando com as duas mãos para impedir o golo.

Inacreditavelmente, o árbitro inglês Jim Finney mandou seguir o jogo. A Alemanha Ocidental chegou a inaugurar o marcador, contudo a partida manteve-se indefinida até que Finney expulsou dois uruguaios numa decisão polémica. Os germânicos marcaram mais três golos nos minutos finais.

  • Na América do Sul, todos estavam convencidos de que tinha ocorrido uma conspiração. O árbitro deste encontro era inglês, enquanto o árbitro do igualmente polémico jogo entre Argentina e Inglaterra, dos quartos de final, era alemão.

     

    6. Alemanha Ocidental vs Argentina 1990 – O mergulho de Rudi Völler

    A Argentina foi a grande vilã do Mundial de 1990, defendendo-se e chutando a bola até chegar à final após duas vitórias nos penáltis.

    Finalmente, receberam “justiça” pelo seu futebol anti-desportivo na final em Roma, quando o árbitro assinalou um penálti inexistente para a Alemanha Ocidental a apenas cinco minutos do fim.

    Rudi Völler simulou claramente, e Andreas Brehme converteu a cobrança, dando o título aos alemães. A Argentina protestou veementemente e tinha muitas razões para se queixar, uma vez que o árbitro também expulsou dois argentinos. Entre eles, Pedro Monzón, que viu o cartão vermelho após um claro mergulho de Jürgen Klinsmann. Foi demais para Diego Maradona, que caiu em lágrimas ao apito final.

     

    7. Alemanha Ocidental vs Áustria 1982 – A Vergonha de Gijón

    A Alemanha Ocidental e a Áustria, vizinhas histórica, entraram em campo para o último jogo da fase de grupos do Mundial de 1982 sabendo que uma vitória por um ou dois golos de diferença seria suficiente para qualificar ambas as equipas para a fase seguinte, eliminando a Argélia.

    O que se viu foi o plano mais descaradamente manipulado de sempre. A Alemanha Ocidental inaugurou o marcador aos 10 minutos por Horst Hrubesch, e as duas equipas trocaram passes de um lado para o outro durante os 80 minutos seguintes, praticamente sem qualquer tentativa de ataque.

    Os adeptos espanhóis em Gijón ficaram envergonhados e gritaram “Fuera, fuera”, enquanto os adeptos argelinos agitavam notas de dinheiro e lenços brancos.

    Como resultado desta “armação”, a FIFA e a UEFA alteraram as suas regras, passando a exigir que os últimos jogos dos torneios internacionais fossem sempre disputados à mesma hora, para evitar que as equipas soubessem de antemão o que precisavam para se qualificarem.

     

    8. URSS vs Bélgica 1986 – Dois foras de jogo

    A Bélgica venceu a URSS por 4 a 3 no prolongamento, nos oitavos de final do Mundial de 1986, no México, num dos grandes jogos a eliminar da história dos Mundiais.

    A partida foi repleta de golos espetaculares, assim como também de muita controvérsia.

    A URSS chegou a estar na frente por duas vezes no tempo regulamentar, no entanto sofreu o empate com dois golos da Bélgica em fora de jogo. O segundo golo do empate, apontado por Jan Ceulemans, foi marcado com quase cinco metros de fora de jogo. A Bélgica acabou por chegar às meias-finais, onde perdeu para a Argentina.

     

    9. Espanha x Jugoslávia 1982 – Favoritismo do país anfitrião

    O favoritismo em relação aos anfitriões tem sido um tema recorrente nos Mundiais de Futebol ao longo dos anos, sendo a Espanha em 1982 um excelente exemplo.

    Uma selecção espanhola apática, humilhada pela Irlanda do Norte na fase de grupos, só se qualificou para os oitavos-de-final graças a uma escandalosa vitória por 2 a 1 sobre a Jugoslávia.

    A perder por 1 a 0, o árbitro assinalou um penálti para a Espanha por uma falta cometida a dois metros da área. Roberto Ufarte rematou para fora, porém o árbitro, surpreendentemente, mandou repetir a cobrança, que converteu. A Espanha venceu por 2 a 1, enquanto os furiosos jugoslavos foram eliminados.

     

    10. Itália vs Austrália 2006 – O mergulho de Fabio Grosso

    Fabio Grosso é ainda hoje uma figura odiada na Austrália. O antigo lateral-esquerdo da Itália, um herói improvável na conquista do Mundial de 2006 pela Azzurra – sofreu um penálti polémico nos descontos dos oitavos-de-final contra a Austrália.

    Nesse momento, o marcador estava empatado a zero, com a Itália a jogar com menos um homem e já tendo utilizado todas as três substituições. Groso aproveitou uma bola solta, invadiu a área e caiu após uma dividida com Lucas Neill. O árbitro assinalou grande penalidade, que Francesco Totti converteu ao ângulo, qualificando a Itália.

  • O lance do penálti gerou indignação na Austrália. Na verdade, houve contacto por parte de Neill, que foi imprudente ao atirar-se para o chão. Contudo se o contacto foi suficiente para justificar a marcação do penálti é outra questão. No início da partida, porém, Marco Materazzi recebeu um cartão vermelho directo por uma falta que não merecia mais do que um amarelo, pelo que os adeptos italianos argumentam que também foram prejudicados.

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