Cultura

A evolução da bola ao longo dos tempos da Copa do Mundo (Parte 2)

 

11. Tango España – 1982

A Adidas não mexeu muito na fórmula vencedora para a Copa do Mundo de 1982 na Espanha, lançando a Tango España. A Tango España apresentava melhorias na resistência à água e na durabilidade da bola, e não precisava mais do revestimento Durlast, já que as costuras agora eram soldadas, além de costuradas.

Uma camada de poliuretano repelente à água seria adicionada em 1984, aproximando-nos ainda mais do fim da bola de couro, falaremos mais sobre isso na próxima secção. Além disso, a diferença mais notável foi a adição do logótipo de três folhas da Adidas, conhecido como “trevo”.

 

12. Tango – 1978

Em 1978, a Adidas lançou a Tango, baptizada em homenagem à famosa dança dos anfitriões argentinos. A bola tornou-se uma das bolas mais populares de todos os tempos, no entanto a Adidas estava visivelmente receosa com o lançamento do seu segundo modelo para a Copa do Mundo, produzindo algumas bolas “Telstar 1978” como plano B.

Porém a Tango decolou, abandonando os painéis pretos da Telstar a favor de uma base totalmente branca com triângulos pretos dispostos num padrão circular, criando um efeito especial quando a bola rolava na grama. Vendeu em quantidades enormes e rapidamente se tornou a bola mais reconhecida do mundo. Além do seu design icónico, parte da nostalgia com que a Tango é lembrada se deve ao facto de ter marcado o início do fim para as bolas de couro.

 

13. Telstar Durlast – 1974

A Telstar fez tanto sucesso que foi apenas ligeiramente modificada, e não completamente reformulada, para o torneio de 1974 na Alemanha Ocidental, o berço da Adidas. Foi renomeada para Telstar Durlast, no entanto o termo “Durlast” já estava presente na bola de 1970. Isso se refere ao revestimento aplicado à bola para proteger o couro e garantir a sua resistência em condições de chuva.

Uma camada mais espessa de “Durlast” foi aplicada à bola de 1974, conferindo-lhe o seu brilho característico. A boa notícia para a Adidas era que, agora como parceira oficial da FIFA, ela tinha permissão para manter a sua marca na bola. Isso fez da Telstar Durlast um grande sucesso de vendas, com a mesma bola usada em campo disponível nas lojas. O brilhantismo de Johan Cruyff e da Holanda naquele torneio contribuiu para a tornar mais um clássico do design.

 

14. Telstar – 1970

Em 1970, ocorreu talvez o desenvolvimento mais dramático na história da bola da Copa do Mundo. Foi a chegada da Adidas, a quem a FIFA decidiu incumbir de desenhar a bola para o torneio no México, após o sucesso obtido com o design da bola para a Copa da Europa de 1968 e os Jogos Olímpicos, também no México, logo de seguida.

Como resultado, a Adidas passou a contar com o apoio da Federação Mexicana de Futebol. A Adidas criou a Telstar, que com os seus painéis em preto e branco para melhorar a visibilidade na televisão na primeira Copa do Mundo a ser transmitida mundialmente, logo se tornaria uma bola icónica.

Não foi a primeira bola a preto e branco com 32 painéis, como tinha acontecido com a primeira bola da Copa do Mundo sem cadarços, a Duplo T, em 1950, o design já existia há algum tempo em alguns países europeus. A Telstar, no entanto, fez com que a FIFA adotasse essa tendência e a levasse para o mundo todo.

 

14. Challenge 4-Star – 1966

A bola para a Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra foi seleccionada através de um teste cego, assim como em 1958, e foi a primeira bola a ser fabricada por uma grande marca moderna. A Federação Inglesa de Futebol (FA) tomou diversas medidas para garantir que ninguém envolvido no processo de selecção, realizado na reunião do Bureau da FIFA em Londres. Tivesse conhecimento prévio das 111 bolas enviadas.

Quarenta e oito não atenderam às especificações e, após a selecção das oito finalistas, constatou-se que outras duas não conseguiam manter o padrão exigido durante um período mais longo de testes. No fim, a bola vencedora foi a Challenge 4-Star, fabricada pela Slazenger, mais conhecida pelos seus equipamentos para desportos de raquete. A bola era semelhante à Top Star, contudo tinha 25 painéis em vez de 24.

O processo de testes e desenvolvimento para o torneio de 1966 foi, de longe, o mais avançado da história da Copa do Mundo até então. Quatrocentas bolas de futebol em três cores diferentes foram solicitadas para a final, e cada associação nacional participante recebeu a bola seis meses antes do torneio para ter a oportunidade de se familiarizar com ela.

 

15. Crack – 1962

Esta foi a bola escolhida para a primeira Copa do Mundo no Chile, em 1962, e não foi unanimemente bem recebida. A Crack, fabricada pela empresa chilena Custodio Zamora, tinha 18 painéis, porém a sua característica principal era a divisão irregular entre eles, alguns eram hexagonais, outros rectangulares, e assim por diante, todos costurados manualmente.

  • Nem todas as selecções gostaram dela, especialmente as europeias. A bola Top Star, usada na Copa do Mundo de 1958, tinha se tornado extremamente popular na Europa, e 100 unidades foram enviadas para lá quando se decidiu que a Crack não era adequada para o desafio. A Crack, no entanto, apresentava uma inovação importante: a introdução de uma válvula de inflação de látex, que seria adoptada por muitos outros modelos posteriormente.

     

    16. Top Star – 1958

    Para a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, a FIFA deu os seus primeiros passos para abrir a competição para o fornecimento da bola oficial do torneio. Para isso, convidou fabricantes a enviarem bolas sem marca, juntamente com um envelope indicando a empresa de origem.

    Um advogado recebeu todas as 102 inscrições e atribuiu um número a cada uma. De seguida, quatro membros do comité organizador da FIFA, além de dois dirigentes do futebol sueco, reuniram-se para examinar e testar as bolas. Até o meio-dia, reduziram o número de finalistas para 10 e, algumas horas depois, escolheram a bola número 55 como a bola oficial da Copa do Mundo de 1958.

    A bola vencedora, chamada Top Star e fabricada por uma empresa de Ångelholm, foi a primeira a ser usada numa Copa do Mundo com 24 painéis. Cada selecção recebeu 30 bolas, enquanto o Brasil exerceu a opção de comprar mais. A Top Star foi, de certa forma, a primeira bola a ser usada em mais de uma Copa do Mundo.

     

    17. Swiss World Champion – 1954

    A Copa do Mundo de 1954 foi realizada na Suíça, o que significava que a bola seria fabricada pela empresa Kost Sport, sediada na Basileia. A bola “Campeã Mundial Suíça” deu um grande passo à frente ao adoptar uma estrutura de 18 painéis, com os painéis interligados num padrão em zigue-zague. Esse formato seria usado em algumas bolas nas décadas seguintes.

    A combinação dessa estrutura com uma cor amarela mais vibrante faz desta talvez a primeira bola que começa a se assemelhar aos modelos que seriam usados nas décadas de 1980 e 1990. Para a frustração da Kost Sport, a FIFA, aparentemente de forma aleatória, reintroduziu a sua regra que proibia qualquer marca na bola desta Copa do Mundo.

     

    18. DUPLO T – 1950

    Após a Copa do Mundo de 1938, houve um intervalo de 12 anos devido à Segunda Guerra Mundial, o que resultou num avanço significativo na produção de bolas. Na verdade, a grande inovação para o torneio de 1950 já tinha sido feita na Argentina no início da década de 1930 e estava apenas a aguardar a aprovação para uso numa competição da FIFA.

    Essa bola já era utilizada nos campeonatos argentinos existem vários anos e era chamada de “Superval”, nome que posteriormente mudou para “Superball” quando a empresa responsável por ela expandiu as suas operações para o Brasil.

    A inovação consistia em eliminar a necessidade de especialistas em encher bolas, criando uma esfera de couro completamente fechada e sem cadarços. As bolas eram enchidas com uma bomba e agulha através de uma pequena válvula, semelhante às utilizadas nos dias de hoje.

    O modelo de Superball usado na Copa do Mundo de 1950 foi o Duplo T, e a consistência com que podia ser enchida fez com que fosse o primeiro modelo a ser usado de forma uniforme em todas as partidas de um único torneio.

     

    19. Allen – 1938

    A Allen, fabricante sediada em Paris, teve o privilégio de ser a primeira empresa autorizada a estampar a sua marca nas bolas quando a Copa do Mundo chegou à França em 1938. Essa bola era muito semelhante à Federale 102 usada na Itália. Os cadarços de algodão permaneceram, assim como o 13º painel ao qual eram costurados (anteriormente, as bolas geralmente tinham 12 painéis).

    A diferença mais significativa era que as bordas dos painéis da bola Allen eram mais arredondadas do que as da Federale, uma tendência que continuaria quando o desporto retornasse na sua totalidade após a Segunda Guerra Mundial. Mais uma vez, porém, a bola Allen não dominou completamente o torneio. Outros modelos com 12 e 18 painéis foram vistos em fotografias, sendo o problema, novamente, a baixa pressão na bola, que podia torná-la pouco confiável.

     

    20. Federdale 102 – 1934

    A segunda Copa do Mundo foi realizada na Itália, que na época estava sob a ditadura de Benito Mussolini. O seu governo produziu a bola Federale 102, embora outras bolas inglesas também tenham sido usadas no torneio. Uma das inovações mais importantes foi a substituição dos cadarços de couro por cadarços de algodão, que eram muito mais macios e tolerantes aos cabeceios.

    Contudo a forma como as bolas eram fabricadas naquela época, artesanalmente, com a habilidade do encher determinando o quão esférica a bola ficaria, dificultava o controlo de qualidade. Isso significava que os dois capitães recebiam duas bolas antes de cada jogo e eram solicitados a escolher a que preferiam. Como resultado, para grande desgosto de Mussolini, como podemos imaginar, a final foi disputada com uma bola inglesa. Felizmente, a bola foi boa o suficiente para que os jogadores italianos conquistassem a Copa do Mundo pela primeira vez.

     

    21. Tiento & T-Model – 1930

    Não existia uma bola oficial na primeira Copa do Mundo, realizada no Uruguai em 1930. Antes da final, Argentina e Uruguai discutiram sobre quem forneceria a bola e, por isso, concordaram em trocá-la no intervalo.

  • Isso pode ter tido um impacto considerável no resultado da partida. A Argentina vencia por 2 a 1 no intervalo, antes da entrada da bola uruguaia, maior e mais pesada, e os anfitriões prontamente marcaram três golos sem resposta, sagrando-se campeões mundiais. A bola da Argentina era chamada de “Tiento”, enquanto a do Uruguai era um “Modelo T”. Mesmo bolas do mesmo tipo eram únicas naquela época, pois eram costuradas e enchidas à mão. Estas bolas também ficavam mais pesadas na chuva.

    Deixe o seu comentário