10 curiosidades sobre o Estreito de Ormuz que tem de saber
Situado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o Estreito de Ormuz é a única rota para os navios que navegam do Golfo Pérsico para o oceano aberto.
Desde há séculos que este estreito é um dos mais importantes canais para o comércio marítimo e é mencionado nas memórias do Imperador Babur, o primeiro rei do Império Mogol, como uma porta de entrada por onde as melhores amêndoas chegavam aos mercados globais. Nos dias que correm, é um ponto de estrangulamento crucial por onde passam 20% do petróleo e de gás do mundo.

1. É Uma Rota Crucial para o Transporte de Petróleo e Gás em todo o mundo
O Estreito de Ormuz é a única rota para o transporte de petróleo e gás do Médio Oriente para a Ásia. Caso contrário, os navios têm de contornar o Cabo da Boa Esperança, em África, o que aumenta os custos de transporte e os atrasos de chegada ao destino.
Assim, o Estreito movimenta quase 20 milhões de barris de petróleo por dia, aproximadamente 20% do consumo global de petróleo do planeta. Para a indústria marítima, isto representa uma enorme concentração de navios petroleiros de grande porte (VLCCs) numa área geográfica muito pequena.
É também o único ponto de saída para grandes remessas de GNL (Gás Natural Liquefeito), principalmente do Qatar. Ao contrário do petróleo, que pode ser armazenado durante um período significativo, as cadeias de abastecimento de GNL são diárias, e uma interrupção ou encerramento do Estreito pode afectar gravemente a Europa e a Ásia.
É isso que está a acontecer actualmente, enquanto a guerra entre os Estados Unidos e o Irão continua. Embora o Irão não tenha bloqueado oficialmente o Estreito, alertou os navios de que, se tentarem atravessá-lo, poderão ser atacados.
Como a maior parte do tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz flui para leste, com 80% do crude destinado à Ásia, especialmente à China, Índia, Japão e Coreia do Sul, isto torna a guerra uma grande preocupação para as economias, com excepção da China, cujos navios receberam passagem segura através do Estreito, concedida pelo governo iraniano.
Por outro lado, países como a Índia estão a enfrentar escassez de gás butano e propano (GPL), com muitos restaurantes e hotéis, principalmente na região sul do país, a lutar para se manterem abertos pois o gás é essencial para cozinhar, enquanto outros recorrem aos tradicionais fogões a lenha.

2. É Perigoso para a Navegação
O Estreito de Ormuz tem 167 quilómetros de comprimento, com uma largura que varia entre os 97 e os 39 quilómetros. No seu ponto mais estreito, chega a ter cerca de 33 quilómetros, o que torna a navegação perigosa e difícil.
Além disso, apresenta fortes correntes de maré e ondas imprevisíveis, bem como visibilidade reduzida devido às tempestades de poeiras no Verão e ao nevoeiro matinal. Os navios precisam de reduzir a velocidade e navegar com cautela para evitar acidentes ou colisões.
Por razões de segurança, foi implementado um sistema de separação de tráfego, em que as embarcações que entram e saem utilizam duas faixas diferentes, cada uma com apenas 3,2 quilómetros de largura, separadas por uma zona de outros 3,2 quilómetros.
Na costa norte do Estreito fica o Irão, e a sul, a Península de Musandam, partilhada pelos Emirados Árabes Unidos e pela Província de Musandam, um enclave de Omã.
Existem três ilhas principais no Estreito: as ilhas de Ormuz, Qeshm e Larak, todas pertencentes ao Irão, o que lhe permite controlar esta via navegável estratégica, juntamente com a sua marinha, que utiliza pequenas embarcações rápidas equipadas com mísseis e drones para patrulhar as águas.
3. Infra-estrutura de desvio limitada
Um equívoco comum é afirmarmos logo que os oleodutos podem substituir o Estreito ou ajudar nos momentos de crise. No entanto, isso está longe de ser verdade.
A capacidade de desvio combinada do Gasoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e do Gasoduto de Abu Dhabi dos Emirados Árabes Unidos é de cerca de 9 milhões de barris por dia (bpd), o que deixa mais de 11 milhões de bpd, mais de 10% da procura global, sem alternativa a não ser as águas marítimas.
Para além disso, de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), os navios têm o direito de trânsito por estreitos internacionais, contudo o Irão argumenta que isto se aplica apenas aos países que ratificaram a CNUDM, o que não é o caso dos Estados Unidos da América, por isso, isto é utilizado como justificação pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) para intercetar ou abordar navios comerciais.
4. Tem um dos ambientes subaquáticos mais ruidosos
Segundo os oceanógrafos, o Estreito de Ormuz é um dos ambientes subaquáticos mais ruidosos do mundo. Existe um zumbido constante dos motores dos navios, e o sonar militar é também muito utilizado na região, tornando o ambiente marinho tão congestionado que interfere com a comunicação e navegação dos golfinhos e botos locais.

5. É o lar de super-corais resistentes ao calor
Os corais do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz estão entre os mais tolerantes ao calor da Terra, prosperando frequentemente a temperaturas que excedem os 36°C. Enquanto os corais tropicais geralmente sofrem branqueamento e morrem quando a temperatura da água se mantém acima dos 32°C, estes super-corais prosperam a temperaturas 2 a 3°C mais elevadas do que as experimentadas pela maioria dos recifes de coral em todo o mundo.
Os cientistas afirmam que a elevada salinidade, o calor extremo do Verão e os Invernos rigorosos levaram os corais a adaptarem-se ao seu ambiente ao longo de 15 mil anos.
Biólogos marinhos da NYU Abu Dhabi e do Instituto Australiano de Ciências Marinhas estão a estudar estes corais para determinar se os seus genes podem ser utilizados para ajudar a restaurar recifes globais como a Grande Barreira de Coral.
6. Uma formação geológica jovem
O Estreito de Ormuz é uma formação relativamente jovem que surgiu devido à rápida convergência das placas tectónicas indiana e eurasiática, que fracturou as Montanhas Musandam, também conhecidas como fiordes da Arábia. Este movimento tectónico abriu a passagem, ligando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.

7. A Lenda da Ilha Vermelha
A Ilha de Ormuz, que se encontra à entrada do Estreito, é muitas vezes chamada de Ilha Arco-Íris. É famosa pelo seu solo vermelho, tão brilhante e vibrante que é utilizado em cosméticos, tintas e até no fabrico de utensílios. Para os marinheiros que passam pela ilha, as suas praias vermelhas fazem com que as águas circundantes pareçam sangue, uma visão espantosamente bela.

8. A segunda maior população de dugongos do mundo e corredor de tubarões-baleia
A vegetação marinha é abundante nas zonas próximas do estreito, e estas águas pouco profundas albergam a segunda maior população de dugongos do mundo, sendo a primeira encontrada na Austrália. Estes dóceis mamíferos são afectados pelo ambiente ruidoso e pelo intenso tráfego marítimo na região.
O Estreito de Ormuz serve também de rota migratória para os tubarões-baleia, que nadam pelo estreito canal para chegar às zonas de alimentação da região do Golfo. As imagens de satélite mostram que navegam pelas mesmas rotas marítimas que os petroleiros e outras embarcações, o que os torna susceptíveis a acidentes como colisões com navios ou ferimentos causados pelas hélices dos motores.

9. A Rota do Lápis-lazúli com 4.000 Anos
Antes de as embarcações carregadas de petróleo se tornarem comuns no Estreito, era uma importante rota comercial que ligava as civilizações da Mesopotâmia e do Vale do Indo. Um comércio floresceu, e os mercadores e comerciantes transportavam artigos de luxo, como marfim, cobre e lápis-lazúli, através destas águas em barcos de madeira.
10. Portugueses em Ormuz
A presença portuguesa em Ormuz, no Irão, ocorreu entre 1515 e 1622, foi uma época decisiva em que a curiosidade marítima encontrou a ambição estratégica, transformando o Estreito de Ormuz numa jóia do império marítimo português. Impulsionado pela necessidade de dominar as rotas comerciais entre a Índia e a Europa, Portugal estabeleceu uma influência duradoura, criando um cruzamento único entre a cultura persa e o poder europeu.
O interesse Estratégico procurado por Afonso de Albuquerque que conquistou Ormuz para controlar a entrada vital para o Golfo Pérsico, permitindo a Portugal cobrar taxas sobre o comércio de especiarias, seda e artigos de luxo. Na altura Ormuz era considerada a jóia da coroa da crescente rede marítima portuguesa, servindo de pedra basilar do seu domínio no século XVI.
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