Viagens

10 curiosidades sobre o Carnaval de Veneza

O Carnaval de Veneza, juntamente com o do Rio de Janeiro no Brasil, destaca-se como uma das festas carnavalescas mais renomeadas do mundo, captura a imaginação de visitantes de todos os cantos do planeta. Além de ser uma festa com origens muito antigas, com o primeiro testemunho escrito datando o ano de 1094 no documento do Doge Vitale Faliero Dodoni, o Carnaval de Veneza é cheio de encantos e mistérios, intimamente entrelaçado com a rica história, arquitectura peculiar e beleza poética da cidade lagunar.

  • Esta celebração única, na qual actores e espectadores tornam-se só num grande palco de máscaras e fantasias, atrai milhões de fãs de todo o mundo todos os anos.

     

    1. A origem

    A tradição da máscara começou no século XIII, quando os venezianos realizavam celebrações e festas de 26 de Dezembro até ao início da Quaresma e usavam máscaras elaboradas para esconder a sua identidade. Essas festas foram o único momento em que as classes baixa e alta se misturaram. Aristocratas e camponeses, disfarçados pelas suas máscaras, representavam juntos as suas fantasias. Eles entregavam-se a actividades ilícitas como jogos de azar, casos clandestinos, assassinatos políticos, danças e festas durante toda a noite.

    A origem da palavra Carnaval de Veneza remonta à Idade Média. Aparece pela primeira vez num documento do Doge Vitale Falier em 1904, onde é usado para falar sobre entretenimento público.

    A tradição carnavalesca tem raízes muito distantes, já o antigo “Satur” da época romana identificava um período do ano em que era permitido, quase incentivado, um alegre ritual colectivo, com o qual a rígida ordem entre as classes sociais, entre os sexos, era subvertida, religiões e hierarquias estabelecidas.

     

    2. O Carnaval de Veneza foi proibido por mais de 200 anos

    Depois de longos anos de excessos e extravagâncias, com a queda da Sereníssima, o Carnaval sofreu um período de declínio. Em 1797, Veneza tornou-se parte do Reino da Lombardia-Veneza, controlado pelos austríacos, quando Napoleão assinou o Tratado de Campo Formio. Os austríacos assumiram o controlo da cidade a 18 de Janeiro de 1798, e ela entrou em declínio, onde apenas eram permitidas festas privadas em palácios venezianos e o Ballo Della Cavalchina em La Fenice. O último Carnaval histórico de Veneza foi em 1797.

    O Carnaval foi proibido pelo governo fascista na década de 1930, contudo não renasceu totalmente até 1979, quando um grupo de entusiastas tentou reviver o Carnaval Veneziano no mesmo espírito que leva as sociedades históricas americanas a organizar batalhas simuladas no Dia da Independência ou a organizar bailes de caridade com Trajes e temas vitorianos. As ruas, os campos, as calli, transformam-se então num grande palco onde tudo parece tornar-se possível para a garantia do total anonimato.

     

    3. As máscaras e as fantasias

    Existem cerca de 10 tipos diferentes de máscaras venezianas. A máscara mais tradicional é a do estilo Bauta. Bauta aparece de branco e é uma máscara que foi usada durante todo o ano por pessoas que desejavam continuar a esconder a sua identidade.

    Entre as máscaras simbólicas do Carnaval está a Bauta, disfarce usado exclusivamente em Veneza, composto por um manto ou tabardo preto, um tricórnio preto sobre rosto branco.

    O Carnaval ainda continua popular na Itália, embora a infiltração de ícones modernos e influências estrangeiras, como os heróis dos desenhos animados, tenha feito com que muitas máscaras históricas do passado sejam cada vez menos vistas. No entanto, existem aqueles que são tão populares que a tradição de os usar certamente permanece connosco durante muitos anos. De Norte a Sul, cada região da Itália tem a sua própria máscara representativa.

    Eles foram extraídos dos personagens principais da “commedia dell’arte” dos anos 1500 até as comédias literárias dos anos 1700. Eles sobreviveram como personagens fantoches e voltam todos os anos no Carnaval.

     

    4. O primeiro carnaval

    Em Veneza, o primeiro documento que oficialmente chamou o carnaval de “feriado” foi um despacho do Senado da Sereníssima em 1296, porém desde 1271, temos notícias sobre oficinas de produção de máscaras e construções relacionadas, é então no século XVIII que o Carnaval de Veneza atinge o seu maior esplendor, adquirindo ressonância internacional em toda a Europa.

     

    5. O significado de Carnevale

    A palavra Carnevale “CARNEM LEVARE” é derivada da palavra latina “eliminar carne” referindo-se ao dia seguinte à folia do “Mardi Gras”, em que o período da Quaresma começava com abstinência e jejum.

     

  •  

    6. Duração do Carnaval

    O Carnaval de Veneza dura aproximadamente duas semanas, começando cerca de duas semanas antes da Quarta-feira de Cinzas e culminando na também conhecida como a Terça-Feira “Gorda”.

     

    7. Bailes de máscaras

    Os bailes de máscaras do Carnaval de Veneza são conhecidos pelo seu glamour e elegância. Eles oferecem uma oportunidade para os participantes de mostrarem os seus trajes e máscaras elaborados enquanto dançam a noite toda.

     

    8. Desfiles de gôndola

    Durante o carnaval, acontecem desfiles de gôndolas pelos canais de Veneza, aumentando a atmosfera mágica do evento. Gondoleiros vestidos com trajes tradicionais navegam pelos canais, acompanhados de música e festividades.

     

    9. Ovos perfumados eram atirados

    Entre os costumes da moda no Carnaval estão os chamados ovi odoríferos (ovos perfumados). Não eram ovos normais, no entanto com as cascas cheias de perfume, muitas vezes água de rosas. Jovens mascarados atiravam-nos uns aos outros ou, em alguns casos, às mulheres que consideravam atraentes. Contudo, a situação poderia tomar um rumo interessante, pois alguns desses ovos às vezes ficavam cheios de tinta ou outras substâncias, causando surpresas desagradáveis.

     

    10. O Plague Doctor não era originalmente uma máscara de carnaval

    O Plague Doctor está entre as máscaras venezianas mais extravagantes e reconhecíveis, porém não se originou como uma máscara de Carnaval. Inicialmente, era um dispositivo projectado para prevenir a propagação de doenças. Afirma-se que Charles de Lorme, um médico francês do século XVII, adoptou esta máscara juntamente com outras medidas durante a epidemia de peste de 1619. A máscara, muitas vezes branca, tem dois orifícios para os olhos e um bico longo e oco.

  • Durante a epidemia, este bico foi utilizado para conter flores e outras essências perfumadas. De acordo com a teoria do miasma predominante naquele período, acreditava-se que os odores nocivos (de material putrefacto e outras partículas nocivas) espalhavam infecções e, portanto, foram feitas tentativas de as neutralizar com substâncias aromáticas. Curiosamente, durante a pandemia de COVID-19, a fantasia do Plague Doctor ganhou novamente popularidade.

    Deixe o seu comentário