10 curiosidades sobre Jean-Michel Basquiat

Quem é Jean-Michel Basquiat? Este personagem misterioso da cena da arte contemporânea dos anos 80 continua, nos dias de hoje ainda a nos fascinar. A sua arte crua e ingénua e cheia de influências da arte de rua ainda hoje é fonte de inspiração para muitos artistas hoje. Vamos então percorrer dez factos que você deve saber sobre o artista que teve uma vida muito curta, porém muito agitada.

  • 1. A infância

    Jean-Michel Basquiat nasceu a 22 de Dezembro de 1960, no Brooklyn, Nova York. O seu pai, Gérard, nasceu em Porto Príncipe, Haiti, e a sua mãe, Matilde, era nova-iorquina de ascendência porto-riquenha. Com raízes multi-culturais, a artista cresceu falando espanhol, francês e inglês.

    Basquiat tornou-se um membro júnior do Museu do Brooklyn, o seu museu favorito, aos seis anos de idade. Na primavera de 2018, o museu hospedou One Basquiat, uma exposição dedicada exclusivamente ao álbum Untitled (1982), que foi comprado na Sotheby’s pelo colecionador japonês Yusaku Maezawa por 110,5 milhões de dólares, o valor mais alto já pago por um artista americano em leilão.

    2. A influência do livro Anatomia de Gray na sua obra

    Quando ele era criança, foi atropelado por um carro que lhe causou ferimentos internos muito graves. Para o distraír enquanto estava no hospital, a sua mãe deu-lhe um livro médico “Anatomia de Gray”, que mais tarde inspirou o nome da sua banda “Gray”. O mais importante, este livro foi uma referência importante no seu trabalho artístico, pois o seu estilo foi definido pelos símbolos e imagens da linguagem anatómica.

    Basquiat tinha uma banda de noise rock chamada “Gray”. Também produziu um disco de hip hop chamado “Beat Bop” com Fab five Freddy e Rammellzee. Basquiat desenhou a capa do single, que agradou tanto a colecionadores de arte quanto a editoras de discos.

    3. A vida nas ruas de Nova Iorque

    O seu pai expulsou-o de casa quando ele abandonou a escola aos 17 anos. A sua dieta pobre consistia principalmente em grandes quantidades de vinho tinto barato e pacotes de Cheetos a 15 centavos de dólar.

    Aos dezassete anos, deixou a casa dos seus pais em Brooklyn para morar em Lower Manhattan. Conseguiu sobreviver a bater à porta de casa de amigos temporariamente ou a viver nas ruas com bêbados e drogados. Sustentava-se a vender t-shirts e cartões postais caseiros.

    Jean-Michel Basquiat viveu na casa de Larry Gagosian durante um ano. Trabalhava num espaço tipo porão. As suas pinturas foram exibidas na galeria West Hollywood Gagosian. Tinha um relacionamento com Madonna na época, e ela morou com eles durante alguns meses.

    4. O graffiti SAMO

    Foi o seu graffiti com a tag “SAMO” (abreviatura de “same old shit”) que primeiro chamou a atenção do público. Basquiat criou “SAMO” com o seu amigo Al Diaz enquanto a dupla estava no colégio e a etiqueta, que muitas vezes apresentava o símbolo de direitos de autor, apareceu em prédios ao longo de Manhattan e Brooklyn entre 1977 e 1980. “Era para ser um logótipo, como o da Pepsi.” Basquiat afirmou mais tarde ao escritor Anthony Haden-Guest. O fim da colaboração foi anunciado em 1980 através de uma série de tags que declaravam: “SAMO está morto”.

     

    5. O Eddie Murphy do mundo da arte

    O crítico de arte da TIME, Robert Hughes, declarou sobre Basquiat que ele era o “Eddie Murphy do mundo da arte” e que o que as pessoas gostam nele é a sua personalidade “jovem, barulhento … invencivelmente burro”. Também afirmou que o amigo íntimo de Basquiat, Keith Haring, não passava de um “decorador de discotecas”.

    Basquiat ganhou impulso com a sua primeira exposição, o famoso DIY Times Square Show, foi inaugurado em Junho de 1980 num salão de massagens abandonado na Sétima Avenida. A exposição pioneira também apresentou obras de Keith Haring, Kiki Smith, Jenny Holzer e Kenny Scharf.

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    6. A fama

    Com o crescente sucesso comercial, gastou grandes quantias de dinheiro em fatos Armani, vinhos caros e nos melhores hoteis. “Por ser tão crítico da cena artística, Jean-Michel estava de repente a tornando-se naquilo que ele criticava”, afirmou Keith Haring, o seu amigo de longa data. Porém seus desperdícios libertinos foram marcados pela irreverência, ele era conhecido por pintar sobre os seus fatos de grife, emprestar quantias obscenas de dinheiro e até mesmo atirar notas de 100 dólares pela janela da sua limusina para mendigos.

    7. A coroa de 3 picos

    A coroa, o motivo artístico da assinatura de Basquiat, tanto reconhecia quanto desafiava a história da arte ocidental. Ao adornar figuras masculinas negras, incluindo atletas, músicos e escritores, com a coroa, Basquiat elevou esses artistas historicamente destituídos de direitos à estatura real e até mesmo santa. “A coroa de Jean-Michel tem três picos, para as suas três linhagens reais: o poeta, o músico, o grande campeão de boxe”, afirmou ao seu amigo artista Francesco Clemente.

     

    8. O videoclipe de Blondie

    A fama agradou Basquiat. Em 1980, ele apareceu no videoclipe da música “Rapture” do Blondie. Foi a vocalista Debbie Harry e o seu namorado Chris Stein quem comprou o primeiro quadro de Basquiat por meros 200 dólares.

     

    9. Não sou uma pessoa real. Sou uma lenda

    Basquiat morreu de overdose acidental de drogas a 12 de Agosto de 1988, no seu estúdio na Great Jones Street. Tinha 27 anos. Nos meses anteriores à sua morte, o atormentado artista afirmou estar usar cem sacos de heroína por dia. O curador Jeffrey Deitch fez um elogio durante o seu enterro no Cemitério Green-Wood, no Brooklyn.

    “Não sou uma pessoa real. Sou uma lenda”, afirmou Basquiat certa vez. O seu nome e estilo pessoal único tornaram-se pontos de referência frequentes na cultura popular. Jay-Z, outro nativo do Brooklyn, por exemplo, é o famoso paralelo para o artista na sua música “Picasso Baby” de 2013, ao afirmar “Não é difícil dizer, sou o novo Jean-Michel”.

     

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    10. O filme Basquiat

    Ao lado de Julian Schnabel, Kenny Scarf e Francesco Clemente, Basquiat foi considerado uma das principais figuras do Neo-Expressionismo, movimento artístico que reafirmou a primazia da figura humana na arte contemporânea. Em 1996, o colega neo-expressionista Schnabel realizou um filme biográfico sobre a vida tumultuada do artista com Jeffrey Wright a interpretar Basquiat e David Bowie como Warhol.



    Mais: , | Por: João Baganha