10 filmes de sadomasoquismo para além do 50 sombras de Gray

Cinema Sadomasoquista

A temática do sadomasoquismo é muito longínqua, tendo já sido alvo de diversos livros e adaptações para o cinema. O melhor de 10 apresenta uma selecção de 10 filmes considerados de culto na temática, para além dos muitos aclamados e famosos actualmente “As 50 sombras de Gray” e a sua sequela “As 50 sombras mais negras”.

 

1. O Porteiro da Noite (Il Portiere di Notte) (1974) – Liliana Cavani

O Porteiro da Noite

Considerado um dos filmes mais genuinamente incómodos já feitos, ou não fosse assinado pela habitualmente controversa Liliana Cavani. A atriz Charlotte Rampling é uma sobrevivente dos campos de concentração alemães da II Guerra Mundial que reencontra, a trabalhar como porteiro num hotel de Viena, o antigo oficial das SS (Dirk Bogarde) com o qual teve uma relação sadomasoquista, que para além de doentia foi também brutal no campo, relação essa que é reatada. O Porteiro da Noite teve diversas críticas que foram de aplauso, considerando o tratamento corajoso do tema num contexto muito delicado, até de completa rejeição e insatisfação, por “sensacionalismo pornográfico” ou “exploração do Holocausto”.

 

2. A Dama do Prazer (Maitresse) (1975) – Barbet Schoeder

A Dama do Prazer (Maitresse)l

Um jovem da provincia que procura aventuras acaba caindo no submundo do sadomasoquismo, ao se envolver num assalto a um apartamento em Paris. Porém. algo corre mal, uma vez que a dona do apartamento vive no andar acima, sendo o andar invadido uma autêntica câmara de tortura, que a sua dona utiliza para atender os seus clientes. Depois deste jovem se tornar no seu amante no andar de cima, ela descobre que os dois níveis cuidadosamente controlados da sua existência começam a interferir um com o outro. Em “Maîtresse”, Barbet Schroeder examina a ténue linha entre fantasia e realidade, decadência e depravação, e até quando se pode chegar por amor.

3. Saló – Os 120 dias de Sodoma (Salò o le 120 giornate di Sodoma) (1975) – Pier Paulo Pasolini

120 Dias de Sodoma - Pasolini

Filme foi inspirado no livro “Os 120 Dias de Sodoma do Marquês de Sade”, conta a história de um grupo de jovens que, na Itália, então dirigida por Mussolini, durante o outono europeu de 1944, são escolhidos por quatro dirigentes fascistas (um presidente de um banco, que representa o poder econômico, um bispo, representando a igreja, um duque, que representa a nobreza e um juiz, que representa o poder judicial) para serem os autores de uma série de torturas e experimentos sádicos, ao longo de 120 dias.

É considerado uma dos mais perturbadores filmes da história do cinema, e está dividido em 3 fases, chamadas de “círculos”, que são o “Círculo das Manias”, onde os fascistas satisfazem seus desejos sexuais, “O Círculo das Fezes”, repleto de escatologia, onde os jovens são obrigados a ingerir fezes; e o “Círculo de Sangue”, onde os prisioneiros desobedientes são punidos através de mutilações, torturas físicas e assassinato.

Baseado nas histórias “Círculo de Manias”, “Círculo da Merda” e “Círculo do Sangue”, a história passa-se, então numa mansão com guardas, em que os jovens seleccionados passam a ser usados como fonte de prazer, masoquismo e morte.

4. A história de O (Histoire d’O) (1975) – Just Jaeckin

A história de O

Adaptado do livro Historie D´O, de 1954, de Pauline Reáge, pseudónimo de Anne Desclos, e realizado pelo realizador de Emmanuele, este filme retrata a história de uma jovem fotógrafa de moda (Corinne Cléry), a “O” do título, que é levada pelo seu amante a uma casa de campo onde é submetida, pelo seu proprietário, a uma série de humilhações e rituais sexuais e sadomasoquistas, devido às dívidas, do seu amante para com esse mesmo proprietário. Tal como sucedeu com o livro, e apesar de Just Jaeckin se manter sempre dentro dos limites do erotismo softcore, o filme História de O foi violentamente atacado pelos movimentos feministas, devido a diversas cenas consideradas um pouco hardcore como o facto de “O” ser marcada a ferro quente com as iniciais de seu novo mestre Sr. Stephen (proprietário das casa) e ser submetida, por sua própria vontade e consentimento, a uma variedade de práticas sexuais sadomasoquistas.

5. O império dos Sentidos (Em Francês “L’Empire des sens”, e em Japonês “Ai no korīda”) (1976) – Nagisa Oshima

O império dos sentidos

Realizado pelo cineasta japonês Nagisa Oshima (1932-2013), Império dos Sentidos é um dos mais controversos filmes da história do cinema, que esteve proibido em vários países. De grande conteúdo sexual, este filme consiste na história verídica, de um amor obsessivo e fatal, ocorrida no Japão antes da Segunda Guerra Mundial,

Sada (Eiko Matsuda), uma antiga geisha, envolve-se numa relação amorosa com o seu atual patrão Kichizo. Esta paixão rapidamente se transforma numa extrema obsessão , em que não existem limites para o êxtase e prazer sexual. Numa das cenas mais marcantes e controversas do filme, podemos mesmo ver, num último movimento de posse absoluta, que Sado estrangula e castra o seu amante.

 

 

6. Querelle (1982) – Rainer Werner Fassbinder

Querelle - Jean Genet , Fassbinder

Querelle é um filme realizado pelo realizador alemão RW Fassbinder, sobre o livro “Querelle de Brest” do escritor Francês Jean Genet.

Este filme relata a história de um belo escravo e marinheiro Querelle, cujo seu comandante Seblon o adora e deseja. Querelle torna-se o seu parceiro no contrabando de drogas, acabando mais tarde por o assassinar. Em fuga vai parar a um bordel dirigido pela bela e maria-rapaz Lisiane, que o conduz ao seu primeiro encontro homossexual com um mordaz assassino chamado Gil. Em parte porque o seu amor por Gil o transtorna e em parte devido a ciúmes e frustração por não o ter só para si, Querelle resolver entregá-lo à Policia. Porém após isto começa a tornar-se mais vulnerável e frágil, tornando-se um forte sedutor e objecto de desejo sexual. É assim uma forte história sobre marinheiros, crime, homossexualidade e práticas sadomasoquistas.

7. Ata-me (Átame) (1990) – Pedro Almodóvar

Ata-me - Pedro Almodovar

Num registo diferente, este filme do famoso e consagrado realizador espanhol Pedro Almodovar, consiste numa comédia negra e de costumes, em que se ironiza a prática do sadomasoquismo.

Assim, neste filme, que apresenta, claramente, um registo mais ligeiro do que a grande maioria dos outros filmes mainstream que tratam de relações de dominação e de práticas sadomasoquistas, Antonio Banderas interpreta Ricky, um homem sem família que recebe alta de um hospital psiquiátrico, e que se encontra fascinado e obcecado por Marina (Victoria Abril), uma ex-actriz de filmes pornográficos, com a qual foi para a cama uma vez, quando ainda estava internado e fugiu da clínica. Deste modo aprisiona-a no seu apartamento e tenta convencê-la a casar com ele e ter filhos. O sadomasoquismo aqui observado, é mais utilizado fins cómicos e de sátira a este tipo de práticas.

8. A Pianista (La Pianiste, 2001) – Michael Haneke

A Pianista - Michael Haneke

Vencedor de três prémios no Festival de Cannes (Grande Prémio, Melhor Actriz e Melhor Ator), este filme de Michael Haneke consiste na adaptação para o cinema do livro, da sua compatriota Elfriede Jelinek, passado em Viena.

A história do livro e do filme baseia-se na vida de Erika, uma dotada pianista e professora de piano (Isabelle Huppert, nomeada para os Óscares de 2017), quarentona e solteira, que vive sob o domínio da mãe, e que se entrega totalmente a uma série de comportamentos sexuais desviantes, praticando também a automutilação. Porém, Walter, um dos seus alunos (Benoit Magimel), começar a sentir atraído por ela, ainda que chocado pelas suas fantasias sexuais e práticas sadomasoquistas, que Erika insiste em concretizar com ele. Um filme intenso e duro, que explora ao limite a perversidade sexual extrema e no feminino.

9. A secretária (The Secretary, 2002) – Steven Shainberg

A Secretária - Steven Shainberg

Após passar algum tempo num hospital Psiquiátrico, Lee Holloway (Maggie Gyllenhaal) volta para a casa dos seus pais disposta a recomeçar a sua vida. Para tal faz um curso de secretária e tenta um emprego com E. Edward Grey (James Spader), que tem um escritório de advocacia. Apesar de nunca antes ter trabalhado Lee é contratada por Grey, que não dá importância à sua falta de experiência. Ao início o seu trabalho parece bem normal e até um pouco aborrecido, uma vez que só escreve textos na maquina de escrever, arquiva e faz café. Lee esforça-se por agradar ao seu chefe e à sua mãe, Joan (Lesley Ann Warren), que se mostra ansiosa para a filha ser bem sucedida. Porém, com o tempo, Lee e Grey envolvem-se numa relação mais pessoal com linhas de conduta da sexualidade humana, tornando-se um caso de amor, no qual os papéis de dominação e total submissão ambos desempenham perfeitamente.

 

 

10. Vénus em Peles (Venus in Furs, 2013) – Roman Polanski

A pele de Vénus - Roman Polanski

Adaptação para o cinema do livro Vénus em Peles, escrito em 1870, pelo escritor austriaco Leopold Sachor-Masoch, este fime apresenta a história de Thomas, um jovem dramaturgo que desespera para encontrar uma atriz principal para sua nova peça. Neste sentido uma jovem atriz chamada Vanda apresenta-se no último momento e logo os dois se envolvem em uma relação de dominação e submissão.



Mais: , , | Por: Mário Rocha