10 coisas que necessitamos saber sobre tokens

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1. O que é uma ICO?

Uma ICO é o acrónimo em inglês de “Initial Coin Offering”. Isto é o processo para as empresas de tecnologia que que pretendem lançar uma nova criptomoeda para o mercado.

2. O que é um token?

Aqui no melhor de 10 já falamos várias vezes em criptomoedas ou moedas virtuais, mas podemos também podemos falar de mais um termo em inglês bastante comum nesta área, o token. Para melhor compreendermos podemos pensar nestes tokens como fichas de casino em que tem um valor associado a cada token. O seu valor está descentralizado e protegido na blockchain.

3. A quem pertencem os tokens?

Quando alguém tem um token em sua posse, apenas possui a chave que permite criar novos registos na blockchain, que podem transferir valor para outros indivíduos. Os tokens nunca são armazenados em computadores pessoais. O que apenas guardamos como registo são estas mesmas chaves que permitem a transferência do valor.

4. O que são tokens intrínsecos?

São os recursos tecnológicos criados para determinado fim. Por exemplo, para o registo de transações.

5. O que são tokens lastreados?

São lançados por um indivíduo, estes tokens contêm a informação do valor a enviar.

 

 

6. Quais são regras de criação de novos tokens?

Depende de criptomoeda para criptomoeda. Por exemplo no caso da bitcoin, o número máximo de bitcoins foi definido no início do seu lançamento. O seus tokens vão sendo criados de acordo com as regras de mineração da moeda virtual. Já no que diz respeito à Ripple, todos os seus tokens já foram pré-minerados e distribuídos por os seus intervenientes iniciais. Há medida que as suas transações vão decorrendo, os seus tokens vão sendo destruídos. No caso da Ethereum os seus tokens foram só parcialmente pré-minerados e os valores da sua emissão são definidos, todos os anos.

7. Servem como unidade de medida?

Os tokens são as unidades de medida no que diz respeito aos recursos da rede. Como por exemplo as fichas de um de um casino como falamos anteriormente. Ou então na moeda tradicional o caso do valor de dólares, euros, ou ienes.

8. Existe especulação de moedas virtuais?

É aí que muita gente se tem debatido. Como é uma fórmula de ativos totalmente nova, ainda não existe regulamentação para os mesmos em qualquer parte do mundo. Todas as autoridades económicas de todo mundo têm tido dificuldade em enquadra-las como meio de troca ou de oferta e procura.

9. Quando surgiu a especulação?

O início da euforia começou em 1995, mas ainda para um mercado muito fechado devido à falta de conhecimento por parte do público geral. No entanto nos dias de hoje, e com a internet acessível a qualquer um e por variados dispositivos, a velocidade de como tudo está a decorrer é enorme. Deste modo o controlo das autoridades é muito menor. Esta tecnologia já começa a ser entendida pelas massas, o que faz com que o investimento aumente exponencialmente, logo os mercados internacionais começam a olhar com atenção para estas transações.

 

 

10. Qual é o futuro dos tokens e moedas virtuais?

Para já é difícil de compreender a bolha e prever onde tudo isto vai parar.

 

Roy Michaeli, coordenador de criptomoedas e dados financeiros do Investing.com

Depois de anos de ceticismo, as criptomoedas estão a ter a atenção dos jovens e dos que estão a entrar no mercado, com os grandes retornos num curto espaço de tempo. Não sei se a bitcoin será uma das principais ganhadoras em 2018. Diversas outras moedas têm estratégias e tecnologias únicas como a iota, EOS, ripple e a litecoin. Algumas estão a chamar a atenção como a cardano e a tron, que podem vir a ganhar foco.

Definitivamente existe um “buzz” na bitcoin e nas demais criptomoedas. Muitas pessoas concordam que a tecnologia da blockchain é muito interessante e pode ser adotada em diversas indústrias. Normalmente as bolhas que derrubam um mercado não são as que estão a ser apontadas, mas sim aquelas que ninguém vê.

Existem algumas tecnologias melhores que a que a bitcoin adota, que cortam o tempo das transações e existem pessoas brilhantes a tentar resolver problemas na tecnologia da bitcoin. Na minha opinião, os custos de comissões são uma questão separada e se você olhar para história do mercado financeiro, elas tendem a cair com o passar do tempo. Dito isso, as volatilidades das comissões hoje são negligenciáveis.

As discussões são provavelmente boas para a popularidade do criptomercado, mas estão a fazer com que as pessoas pensem mais antes de investir. O regulador já está presente de diversas formas, mesmo que não seja no papel de um banco central. Na minha visão, algumas coisas precisam de mais supervisão do que outras e espero que os reguladores sejam inteligentes em como abordar esses assuntos para proteger os investidores. Acho que vai ser melhor ter mais transparência dos que atuam no criptomercado, especialmente, em novos ICOs.

 

Vinicius Bazan, especialista em moedas digitais da Empiricus

Já não há mais dúvidas de que as criptomoedas foram o principal destaque do mercado financeiro em 2017. Foi um ano e tanto para esse mercado nascente e promissor.

2017 também foi um ano de novidades e reviravoltas. De um lado, vimos o boom dos ICOs – as ofertas iniciais de tokens – como forma de captação de recursos para o financiamento de projetos. De outro, também assistimos à sua proibição na China e ao fecho das operações das principais exchanges chinesas.

Sempre recebo muitas questões sobre a grande onda de valorização já ter passado. Na minha opinião, ela apenas começou.

Precisamos de nos lembrar de que as criptomoedas e os criptoativos são projetos de software em sua essência, e que estão a começar a se desenvolver. Ainda há muito potencial a ser capturado pelo avanço desses projetos e pela adoção em larga escala na economia global.

Se fizermos um paralelo com o nascimento da internet, ainda estamos em 1994. Muito já foi feito, mas muito mais ainda está por vir. Hoje a valorização das criptomoedas deve-se muito à expectativa de como elas podem vir a ser usadas no futuro. Mas e quando, de fato, estivermos a usar a bitcoin para pagar as nossas compras no supermercado, quanto ela pode valer? Não seria absurdo pensar em bitcoin a 100 mil euros ou mais.

Por isso, 2018 tende a ser um ano de consolidação de grandes moedas, além de um maior desenvolvimento de aplicações que melhorem a usabilidade para investidores – hoje ainda é muito penoso comprar e armazenar criptomoedas – e de instrumentos financeiros que permitam a entrada de mais investidores nesse mercado.

Esperamos ver um avanço da questão de regulação, com mais países a entender o valor real das criptomoedas e incluindo-as nas suas legislações. Isso também abre espaço para mais plataformas de negociação a ser criadas e um fluxo maior de capital entrar para esse mercado.

Em resumo, portanto, esperamos ver uma maior consolidação do criptomercado rumo ao mainstream, fortalecimento do bitcoin e outras moedas mais avançadas e o surgimento de novos projetos que envolvam a tecnologia do blockchain, dentro e fora do mercado financeiro.

 

João Paulo, sócio da FoxBit e especialista em criptomoedas

Ainda no meio da euforia ocorrida no segundo semestre de 2017, surge a pergunta: O que esperar para 2018 no universo das criptomoedas? Seguem-se algumas das minhas previsões:

1) Mais instituições a operar com criptomoedas no Brasil e no mundo. Todos os bancos e corretoras do país já discutem o assunto. A dúvida é: Qual a instituição financeira vai ser a primeira a operar com criptomoedas no Brasil? Certamente, com mais instituições poderemos esperar uma melhora na qualidade do serviço, visto que as poucas corretoras de criptomoedas moedas do Brasil não estavam preparadas para demanda. Como serão as plataformas de negociação de criptomoedas apresentadas pelos players já consolidados no mercado?

2) Ainda mais aumento no market cap das criptomoedas. O valor de mercado de criptomoedas deve passar 1 trilião de euros em 2018. Possivelmente, a bitcoin vai continuar a subir mais outros projetos devem ter cada vez mais relevância e visibilidade. O percentual do marketcap do bitcoin em relação a outros ativos digitais deve cair ainda mais. No começo do ano, a Bitcoin correspondia a 87% de todas as criptomoedas. Em dezembro, a capitalização de mercado da bitcoin, correspondia a menos de 50%. Podemos esperar uma diminuição ainda maior.

3) Popularização de aplicações em blockchain / Smartcontracts. Muitos ICOS que ocorreram em 2017, tinham o objetivo de desenvolver aplicativos descentralizados em blockchain. Muito dinheiro foi levantado, mas pouca coisa concreta foi entregue em mercado. Uma das poucas aplicações de sucesso foi o jogo na Ethereum chamado Criptokities, que sobrecarregou a rede da ethereum, criando o conceito de criptocolletables, itens digitais colecionáveis em blockchain. Muita coisa interessante está a ser prometida, como o Descentraland, uma espécie de second life, desenvolvido em ethereum.

4) Mais ICOS, Mais SCAMs

a. O crescimento do mercado cada vez mais se aproxima de uma bolha, visto que alguns ICOS foram super precificados pelo mercado durante o lançamento. Além disso, não foram poucos os SCAMS (golpes) que ocorreram no mercado. No Brasil, o de maior repercussão foi o KRIPTACOIN, que foi fechado pela Polícia Civil de Brasília.

5) Amadurecimento das regulações e compliance ao redor do mundo. Regulação e prevenção a lavagem de dinheiro foi um assunto que ganhou bastante força em 2017. No Brasil, uma série de audiências públicas discutiu sobre criptomoedas, no fim o relator da audiência, sugeriu a proibição da bitcoin. Esse relatório vai ser votado pela Câmara até Fevereiro. Mas não se assuste! Muitos deputados consideram esse relatório com poucas possibilidades de ser aprovado. No mundo, vimos movimentos de reconhecimento da bitcoin muito positivos, como a regulação no Japão e no Dubai. O deputado Aureo relator do projeto de Lei 2303/15 defende um modelo parecido a esses países no Brasil.

 

Paulo Ramirez, analista técnico da Bastter.com

Podemos notar o boom da bitcoin e de novas criptomoedas (como a litecoin e a iota) e já vemos a presença da bitcoin a ser negociada na bolsa de Chicago.

Um grande problema que vejo para a bitcoin é que é uma grande incógnita, é o limite de prospeção de 21 milhões de BITCOINS, isso exigiria alterações nos protocolos e não sei como o mercado iria “aceitar” uma mudança de regra no meio do jogo.

Vejo com grande simpatia a criptomoeda iota, que tem grandes grupos a subsidiar, o uso de tecnologia mais leve (Tangle) ao invés da blockchain, taxas de operação menores e risco menor de forks (portanto uma maior segurança nas transações). Por uma série de vantagens tecnológicas vejo a iota como uma séria candidata a tomar o lugar do bitcoin.

 

Jason Vieira, economista-Chefe na Infinity Asset Management

Não vejo as “cripto” como moedas, existe uma zona cinzenta ainda enorme quanto ao potencial de uso destes instrumentos e qual o seu impacto no futuro. A movimentação digital de recursos já é uma realidade global enraizada, basta lembrarmos da última vez que tivemos dinheiro vivo nas mãos. Todavia, a ausência de referenciais credíveis, lastro, regulações nas criptos não dá segurança ainda para recomendar para ninguém como um investimento, mais como uma aposta.

Pode ser que as criptos se tornem a “moeda” do futuro, ao ponto de revermos as teorias económicas, principalmente em relação ao valor das moedas, inflação e juros, porém acredito que estamos ainda longe da conclusão do processo com segurança.

 

André Momberger, sócio e assessor de investimentos da Focalise

As criptomoedas são uma grande incógnita, temos muito o que aprender, mas sem dúvida nenhuma podem continuar a repetir o protagonismo visualizado em 2017.

Se resolver apostar, vá com calma. Não pense em resolver a vida financeira ou que irá ficar rico do dia para noite. Esse é o pensamento mágico que costuma provocar tragédias financeiras recorrentes.

Vá com calma e com uma pequena parcela do portfólio. Aquela que dá para perder se der errado. E se der certo, ajudou a rentabilizar a carteira como um todo.

 

Julio Hegedus Netto, economista-chefe da Lopes Filho & Associados

As criptomoedas trazem muitas incertezas e especulação. Podem formar bolhas. Não recomendo. Falta lastro e regulação.

Shin Lai, estrategista de investimento em ações da Upside Investor

As criptomoedas devem ganhar mais espaço em 2018 e é provável que surjam avanços também em termos de legislação. Apesar de crer que as moedas digitais possam se mostrar muito úteis ao longo do tempo para fins transacionais, não vemos as criptomoedas a entrar nos nossos investimentos por enquanto nem recomendamos aos nossos clientes.

Primeiro porque não é propriamente um investimento. Não é pela falta de lastro (como alguns tem dito), mas sim por não ter relação com nenhuma atividade produtiva. A sua valorização depende da demanda e aceitação por ela, portanto, fatores como aparecimento de moedas substitutas, ou menor aceitação, entre outros, podem facilmente despenhar o preço do bitcoin.

Por fim, a expectativa é de aquecimento desse mercado, visto que é um facto que muitas pessoas estão a ganhar dinheiro com a valorização de moedas digitais.

Em 2018, o preço dos cripto-ativos continuará a subir devido ao crescente número de pessoas que se interessará e seguirá a comprar. Além disso, a chegada dos contratos futuros de Bitcoin atrairá outros investidores e especuladores.

Não existe bolha na bitcoin. A bitcoin não é um produto, não é uma empresa, não é uma planta, não é uma casa. É tecnologia. As pessoas dizem que a bitcoin não tem lastro e não é tangível, mas a arte também não é tangível e tem um preço. A ideia de não ser tangível e ter preço. O valor do bitcoin é derivado da rede de milhares de utilizadores e dezenas, talvez centenas, de programadores que trabalham para aprimorar a tecnologia. Por isso, eu não compro a ideia de que a bitcoin perderá domínio, pois nenhuma rede tem a quantidade de programadores que a bitcoin possui.

Até hoje não vi nada que me convença do contrário. O que hoje existe é especulação. Se se tirar as altcoins das exchanges elas desaparecem. A bitcoin não. Ela persiste por causa da rede de programadores.

Mas temos algumas questões para o próximo ano. Temos que ter evolução no protocolo, pois muita gente está a comprar e pouca gente a utilizar no seu dia a dia. Por um lado, isso é bom, pois o preço sobe, mas muita gente que quer usar a bitcoin. Hoje, a bitcoin é cara para fazer uma transferência e perdem a possibilidade de fazer compras menores. Existem soluções como o SegWit (não confundir com SegWit2x) que reduzem o custo de transações, mas pouquíssimas corretoras e carteiras já implementaram essa atualização. É preciso pressionar as corretoras para que elas adotem essa tecnologia.

Em relação à regulamentação, é complicado, mas os governos têm que regular e proteger o pequeno investidor, senão vira uma festa. A punição sobre, por exemplo, o insider trading precisa de existir e deve ser severa. Quem está no mercado tem uma posição de vantagem muito grande e hoje o que existe é muita especulação. Não existe investimento em tecnologia da bitcoin. O que existe é especulação no ativo da bitcoin.

E, não. Não é uma pirâmide. A bitcoin é um bicho novo que tem características de moeda e commodity. Podemos considerá-la uma nova classe de ativos, ou seja, um cripto-ativo, um ativo digital.

Informação retirada de Investing.com



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