10 artistas de Hip Hop indígenas

 

Com a crescente valorização do Hip Hop na cultura pop mundial, a cultura questionadora e inquieta ganhou voz dentro dos jovens nas comunidades indígenas mundo afora. Os povos indígenas foram os que mais sofreram com os processos colonizadores, especialmente no continente americano, mas não apenas, jovens usam a linguagem contestadora do Hip Hop para defender suas bandeiras culturais e expor as disputas cotidianas que sofrem ainda hoje. Muitos usam as suas línguas originais, mas mesmo quando não o fazem, apontam sempre a sua condição de colonizado. Fica aqui uma pequena mostra desses grandes artistas que trazem um Hip Hop de qualidade e cheio de força, mas que nunca chegarão aos festivais e gravadoras pois são indígenas.

 

1. Brô MC’s – (Jaguapirú e Bororó / Brasil)

No Mato Grosso do Sul, onde a cultura Guarani é mais forte no Brasil, esse grupo de 4 rapazes cantam o direito à cultura deles, usam o guarani como língua principal, assim como as tradicionais pinturas corporais.

 

2. Frank Waln – (Rosebud / EUA)

Vindo da Reserva Rosebud na Dakota do Sul, Frank Waln costuma dizer que sua arte cresceu como resposta por viver em um país construído sobre o genocídio dos seus e questiona a narrativa onde a sociedade e o governo diminuem sua cultura e língua. Para ele, lutar está no seu DNA, faz parte da história do seu povo.

 

3. Linaje Originários – (Embera / Colómbia)

Diretamente da Reserva Marcelino Tascón, em Antioquia, dois jovens da etnia embera repartem seus dias entre a agricultura e o Hip Hop. Na sua música, usam sua língua, tentando trazer temas da sua comunidade.

 

4. Kunumi MC – (Krukutu / Brasil)

O jovem da aldeia Krukutu em Parelheiros, zona sul da gigantesca São Paulo, começou como escritor de contos indígenas e hoje escreve canções em defesa de sua cultura e de seu povo. Ficou mundialmente conhecido quando, na Copa de 2014, levantou uma faixa que dizia “DEMARCAÇÃO” e acabou até por gravar com Crioulo.

 

5. Drezus – (Plains Creed / Canadá)

Com uma história particular bastante atribulada, o rapper encontrou-se finalmente ao cantar sobre suas raízes, como se fosse um tipo de líder a criar um caminho para os seus. Ele costuma dizer que seu objetivo é dar esperança aos nativos, que normalmente sofrem de pouca auto-confiança e acabam por cair na criminalidade.

 

 

6. Oz Guarani – (Tekoa Pyau / Brasil)

Os Jovens Xondaros da etnia Guarani M’bya, aldeia Tekoa Pyau junto ao Pico do Jaraguá na zona oeste da grande São Paulo, criaram o grupo Oz Guarani com a finalidade de divulgar suas demandas mais urgentes e relatar seus problemas diários e o tema da demarcação.

 

7. Kimmortal – (Filipinas)

A artista queer originária das Filipinas traz em sua música super politizada questões de identidade, género e comunidade, misturando Hip Hop com instrumentos inesperados como o uquelele. “Em toda a minha arte e música, existe uma necessidade sempre presente por conexão. Isso se dá por ser parte de uma comunidade marginalizada no meio de uma supremacia patriarcal branca.”, diz a multi-artista em tom de militância.

 

8. Prolific The Rapper – (Rosebud / EUA)

O controverso rapper e realizador da Dakota do Norte canta a coletividade indígena misturando militância e temas indígenas nas suas faixas e videos. Membro da tribo Sioux ele frisa que em tempos como os de agora, devido ao governo de Trump, a humanidade precisa escolher entre se unir ou auto-destruição.

 

9. Katú – (Katu / Brasil)

Artista independente, suas músicas são de autoria própria. Indígena urbana que descende dos Bororo, usa sua voz para falar sobre as questões indígenas, porém a artista não se considera uma artista indígena que só produz artes na temática indígena, mas sim uma artista que usa a música para falar sobre tudo que envolve seu mundo.

 

 

10. Taboo – (EUA)

Não menos importante, o rapper Taboo, do Black Eyed Peas, de descendência Shoshone, organizou uma canção para promover consciência sobre os danos da construção de um oleoduto que cruzaria a Reserva Sioux Standing Rock e que causaria distúrbios na bacia hidrográfica local, além de destruir milhas de território sagrado. A música acabou por tornar-se um hino para indígenas de todo o território estadounidense unirem-se.



Mais: , , , , , , , | Por: prisca